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Primeiro ministro grego Tsipras alia-se à Trump

Alex Lantier
20 de febrero de 2018

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Publicado originalmente em 19 de Outubro de 2017

Um espetáculo degradante foi visto terça-feira em Washington com a visita de Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia e líder da “Coalizão da Esquerda Radical” (Syriza), ao presidente americano Donald Trump. Colocando-se ao lado do presidente de direita dos EUA em uma coletiva de imprensa, o principal representante da “esquerda” de classe média da Europa se vangloriou pela Grécia ser um lugar seguro para Wall Street e o Pentágono.

Sob condições em que a administração de Trump é desprezada pelas massas de trabalhadores na Grécia e por toda a Europa, o primeiro ministro grego declarou que as relações greco-americanas são “as melhores” desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Tsipras deixou claro que, depois de aproximados três anos de austeridade devastadora imposta pelo seu governo sobre a classe trabalhadora, existem muitos lucros a serem tirados da Grécia. Sorrindo enquanto Trump elogiava a “implementação contínua de reformas” pelo governo do Syriza e anunciava que gastará US$2,4 bilhões aprimorando caças F-16 fabricados nos EUA, Tsipras exaltou os “princípios democráticos comuns” que ele compartilha com Trump. Políticos na Grécia, disse Tsipras, “estão animados para atrair investimentos americanos”.

Tsipras fez um apelo claro à máquina de guerra americana. Ele e Trump fizeram referência ao fato de que Atenas e Washington planejam aprimorar a base naval dos EUA na Baía de Souda, na ilha grega de Creta, e abrir uma nova base americana em outra parte da ilha, colocando forças americanas próximas a importantes países em guerra, como a Síria e o Iraque. Alegando que Washington ajuda a Grécia “em áreas de segurança e defesa de fundamental preocupação nacional”, Tsipras pediu à Trump que o auxiliasse a resolver o conflito greco-turco pelo Chipre.

Tsipras elogiou a política americana no Oriente Médio e nos Balcãs, onde as guerras dos EUA deixaram milhões de mortos e transformaram dezenas de milhões em refugiados. Os Estados Unidos, ele disse, “promovem a cooperação com o Oriente Médio e os Balcãs, que contribui para a segurança e o crescimento da área.” Tsipras ignorou um jornalista que relembrou que, durante a eleição presidencial americana do ano passado, Tsipras disse que a possibilidade de uma vitória de Trump era “perversa”. “Os EUA são uma potência muito forte e sua capacidade de intervir para o bem é muito, muito importante... Nós temos valores comuns.”

A declaração de Tsipras de que ele compartilha “valores comuns” com Trump é uma denúncia devastadora não apenas do Syriza, mas de todos os partidos de “esquerda” da classe-média alta que promoveram o partido e sua vitória na eleição de 2015. Esse é o ponto alto de uma experiência estratégica da classe trabalhadora internacional.

Partidos pequeno-burgueses “pós-marxistas” espalhados por todo o mundo, tais como o Podemos da Espanha, o Novo Partido Anticapitalista (NPA) da França, o partido A Esquerda da Alemanha e a Organização Socialista Internacional (OSI) nos Estados Unidos, exaltaram a eleição do Syriza em Janeiro de 2015. Emergindo do movimento estudantil pós-1968 e compartilhando uma rejeição pós-modernista do papel revolucionário da classe trabalhadora e do marxismo, todos eles promoveram as promessas mentirosas feitas por Tsipras de negociar o fim da austeridade da União Europeia (UE).

Eles sonhavam em seguir o caminho de Tsipras e liderar um governo capitalista. O Secretário-Geral do Podemos, Pablo Iglesias, fez campanha com Tsipras na Grécia, chamando-o de “leão” e gritando “Syriza, Podemos, nós conquistaremos!” O NPA declarou que “a vitória eleitoral do Syriza é uma excelente notícia. Ela dá esperanças a todos que estão lutando contra austeridade na Europa.” A OSI, cujos afiliados gregos estavam dentro do Syriza e entraram no governo com Tsipras, chamaram a vitória do Syriza de condição prévia para a vitória final de toda a esquerda e do nosso povo.”

Apenas o Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI) avisou que o caráter anti-marxista, pró-capitalista e nacionalista do programa do Syriza era uma armadilha, avançando em contraposição a perspectiva da mobilização internacional revolucionária da classe trabalhadora europeia contra a austeridade, em solidariedade com os trabalhadores gregos. As críticas do CIQI ao Syriza foram confirmadas pela traição nojenta de Tsipras de suas promessas de eleição.

O Syriza chegou ao poder depois de protestos em massa dos trabalhadores e da juventude grega contra a austeridade, prometendo cancelar o memorando de austeridade da UE. Entretanto, quando Berlim ameaçou expulsar a Grécia da Zona do Euro, o Syriza capitulou quase de um dia para o outro. Quatro semanas depois de chegar ao poder, o partido concordou em respeitar o memorando da UE, e então atropelou o voto da grande maioria pelo “não” do povo grego no referendo do próprio Syriza sobre a austeridade da UE em Julho de 2015. Ele impôs bilhões de euros em novos cortes.

Na corrida para eleição grega de 2015, enquanto Tsipras viajava para as maiores capitais imperialistas para tranquilizar a burguesia internacional de que ela podia confiar nele, o WSWS advertiu repetidamente sobre o programa pró-capitalista e pró-União Europeia do Syriza.

Em 2013, o WSWS escreveu sobre a primeiro viagem de Tsipras para a Instituto Brookings em Washington, onde ele fez um teste para o cargo de primeiro-ministro com o Departamento de Estado dos EUA, o Fundo Monetário Internacional e a CIA. Tsipras, constatou o WSWS, conseguiu notas máximas: o FMI o descreveu como “construtivo e sincero”, e o Syriza disse que Tsipras e o Departamento de Estado tinham chegado à uma “avalição comum”. Tsipras disse ao público no Instituto Brookings: “Espero tê-los convencido de que não sou tão perigoso quanto algumas pessoas pensam.”

Os aliados pequeno-burgueses do Syriza ficaram ainda mais entusiasmados enquanto liam tais relatos. Quanto mais Tsipras visitava Washington, Nova York as capitais europeias nos meses seguintes para tranquilizar os bancos, com maior intensidade e de maneira mais insistente essa forças o promoviam, com um olho fixo nos seus portfólios de investimento e o outro nas suas chances de se tornarem ministros de governo.

Lições estratégicas importantes precisam ser tiradas. Depois de um quarto de século de guerras imperialistas e austeridade desde a dissolução stalinista da União Soviética, o capitalismo europeu fracassou. O caráter moribundo do capitalismo grego, com o desemprego em 21% (e 42% entre os jovens), apesar de ter sua competitividade aumentada pelos cortes de salários de 40% em média, é apenas uma das expressões mais intensas de uma crise mais ampla.

Como o CIQI explicou em sua declaração de 2015, As lições políticas da traição do Syriza na Grécia, a única alternativa genuína está no retorno às tradições revolucionárias do Partido Bolchevique, que levou a classe trabalhadora ao poder na Revolução de Outubro há um século, e do Trotskismo. Como o CIQI afirmou:

O único caminho é uma política genuinamente revolucionária, mobilizando a classe trabalhadora na Grécia e ao redor de todo o mundo em luta. Essa mobilização requer um assaltou direto sobre a classe capitalista, o confisco de sua riqueza e a expropriação dos grandes bancos e das grandes forças produtivas para colocá-los sob o controle democrático dos trabalhadores, e a criação de estados operários em toda a Europa e em todo o mundo. Tais lutas requerem a construção de partidos marxistas para oferecerem liderança política para a classe trabalhadora, em luta implacável contra partidos como o Syriza.

Os partidos marxistas que devem ser construídos são seções do CIQI, a única tendência política que disse aos trabalhadores a verdade sobre o caráter de classe reacionário do Syriza.

 



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