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Cai a máscara de Trump ao defender a violência nazista

Joseph Kishore
21 de setembro de 2017

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Publicado originalmente em 17 de Agosto de 2017

As declarações de Donald Trump na terça-feira, 15 de agosto, defendendo manifestantes nazistas e supremacistas brancos violentos fez cair a máscara que já mal escondia o rosto do capitalismo americano. O presidente dos EUA se colocou diante da mídia para apoiar as “ótimas pessoas” envolvidas na manifestação em Charlottesville no fim de semana passado, ao mesmo tempo atacando manifestantes supostamente “violentos” de esquerda.

A resposta do presidente à violência em Charlottesville terá consequências das mais amplas possíveis internacionalmente e no próprio EUA. A Segunda Guerra Mundial, que consolidou a hegemonia americana sobre o sistema capitalista mundial, foi apresentada como uma guerra contra o fascismo. Toda as guerras ao longo dos últimos 25 anos, justificada a partir da retórica defesa da “democracia” e dos “direitos humanos”, foram supostamente realizadas para derrubar certos chefes-de-estado descritos como a encarnação moderna de Hitler. Agora, o suposto líder do “mundo livre” revelou suas simpatias fascistas.

Dentro dos Estados Unidos, os comentários de Trump irão alimentar as crescentes tensões sociais e políticas. Milhões de pessoas já vêem o estado e suas instituições com hostilidade e desprezo. Apesar do fato de Trump e assessores pró-nazistas como Stephen Bannon buscarem explorar a confusão e a alienação política para desenvolverem um movimento extraparlamentar de extrema-direita, ainda não existe um apoio em massa ao fascismo. A mobilização dos neonazistas de todo o país para Charlottesville atraiu apenas algumas centenas de pessoas, em comparação às centenas de milhares que aparecerem para protestar contra a posse de Trump.

Mesmo assim, os eventos em Charlottesville e a resposta da Casa Branca precisam ser tomadas pela classe trabalhadora, tanto nos Estados Unidos quanto internacionalmente, como uma clara advertência. Na ausência de um movimento independente de massas da classe trabalhadora contra os partidos Democrata e Republicano e todo o establishment político, existe um perigo real do crescimento do fascismo nos EUA.

A exposição da visão autoritária não apenas de Trump, mas da oligarquia financeira que ele personifica, está no centro da crise política dentro da classe dominante. Uma lista crescente de diretores executivos de grandes empresas anunciaram seu desligamento do Fórum Estratégico e Político de Trump e de seu Conselho Manufatureiro, fazendo o presidente acabar com ambos ontem à tarde. Congressistas importantes, Democratas e Republicanos, condenaram o presidente e suas declarações. Os ex-presidentes George W. Bush e George H. W. Bush, assim como quatro militares membros do Estado-Maior Conjunto dos EUA, publicaram declarações opondo-se ao racismo.

O ex-diretor da CIA John Brennan, que ajudou a implementar programas de tortura e a espionagem da Agência de Segurança Nacional, chamou os comentários de Trump de “vergonha nacional” que colocará “nossa segurança nacional e nossos futuros coletivos em grave risco.”

As ações e declarações desses representantes da classe dominante constituem um exercício de hipocrisia e acobertamento, como se as tendências fascistas de Trump não estivessem claramente estabelecidas. De acordo com muitos relatos, Trump expressou suas visões pró-fascistas para seus principais assessores em muitas ocasiões. Isso significa que elas eram conhecidas em Washington e na mídia, que buscou escondê-las do público.

Um artigo de Mark Landler no site do jornal New York Times na quarta-feira (“Trump se Recusa a Estabelecer um Padrão Moral, Abandonando uma Tradição”) esclarece as preocupações reais motivando a classe dominante. Landler reclama que Trump “abdicou do que presidentes desde Roosevelt até Reagan apreciaram como um dever sagrado do seu trabalho: estabelecer um caminho moral para a nação.”

Como exemplos de “padrão moral” estabelecido por presidentes anteriores, Landler cita o discurso de despedida de Reagan em 1989, o discurso ao Congresso de George W. Bush após os ataques de 11 de Setembro de 2001, e o apelo de Barack Obama “ao melhor nos americanos ao longo de uma sucessão entristecedora de tiroteios policiais e assassinatos motivados pelo racismo.” Outros presidentes cometeram “desvios morais”, Landler conclui, “mas até agora nenhum presidente havia rejeitado o conceito de liderança moral.”

De acordo com essa concepção, todos os problemas da sociedade americana e da política se originam das falhas individuais de Trump. Como o New York Times coloca cruamente no seu editorial na quarta-feira: “A raiz do problema não é o gabinete; é o homem no topo.”

Mas Trump, apesar de todas as suas características pessoais repugnantes, é o resultado de uma longa evolução política. Os últimos 50 anos presenciaram um processo espantoso de decadência e degeneração política, coordenado pelos “guardiões morais” citados pelo Times.

Nixon foi derrubado pelo escândalo de Watergate diante de revelações de atividades criminosas do imperialismo americano ao redor do mundo. Carter lançou a guerra à distância dos EUA que levou à criação da Al Qaeda. Reagan iniciou uma contrarrevolução social enquanto levava adiante uma guerra ilegal e secreta para trocar o regime na Nicarágua, dirigida a partir do porão da Casa Branca. George H. W. Bush invadiu o Panamá e realizou a primeira invasão do Iraque. Clinton bombardeou repetidamente o Iraque e impôs sanções brutais que mataram milhares de iraquianos, além da posterior guerra aérea contra a Sérvia. George W. Bush, que chegou ao poder através de uma eleição fraudulenta, iniciou guerras que mataram mais de um milhão de pessoas e autorizou a tortura como um instrumento político. Obama, o candidato da “esperança” e da “mudança”, institucionalizou assassinatos por drones e a espionagem doméstica, enquanto entregava centenas de bilhões de dólares a Wall Street.

O Times e o establishment político e midiático preferem que as políticas criminosas da elite dominante americana sejam revestidas de frases democráticas sobre direitos humanos e amor fraterno.

A eleição de Trump foi um ponto de inflexão nesse processo. Ele está tentando incitar e legitimizar o desenvolvimento de um movimento fascista que apele ao desespero e distanciamento político crescentes de amplas parcelas da população. Mas a sua defesa da violência nazista reflete não apenas a visão de mundo retrógrada e reacionária de um indivíduo. Com Trump, todos os crimes da aristocracia financeira que administra os Estados Unidos emergiram para a superfície da vida política para todo o mundo ver.

A mídia apresenta as declarações de CEOs e funcionários de inteligência e militares, como Brennan, como se fossem o antídoto político ao vírus que Trump representa. Na verdade, a influência cada vez maior das Forças Armadas e das agências de inteligência – para as quais os Democratas canalizaram todo o seu apelo desde a eleição de Trump – é uma outra forma assumida pelo colapso da democracia americana. É mais um sintoma da mesma doença.

A luta contra Trump precisa ser desenvolvida por baixo – através de um movimento da classe trabalhadora – não através dos procedimentos de um golpe palaciano.

A classe trabalhadora precisa intervir com seu próprio programa socialista e revolucionário. Ela não pode permitir que a luta contra a administração de Trump seja subordinada a qualquer facção da classe dominante. A oposição ao autoritarismo a ao fascismo precisam ser conectadas com a oposição à guerra, desigualdade social, desemprego, pobreza e ao ataque sobre o sistema público de saúde e educação. A vasta riqueza da oligarquia financeira precisa ser confiscada e os bancos e corporações gigantescos que exercem uma ditadura sobre a vida social e econômica transformados em bens públicos.

O governo adoecido de oligarcas e generais, a ponte de comando das conspirações para a execução das guerras e imposição da ditadura, precisa ser substituído por um governo genuinamente democrático dos trabalhadores.

 



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