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Sob ataque, Trump joga a carta da homofobia para fortalecer sua base fascistóide

Eric London
25 de agosto de 2017

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Publicado originalmente em 29 de julho de 2017

O ataque da administração Trump sobre os direitos democráticos de pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) é a realização de uma estratégia política reacionária. Ela procura combinar apelos a histeria homofóbica, intolerância religiosa, a glorificação da polícia e o nacionalismo americano xenofóbico para encorajar o crescimento de um movimento fascista.

Cercado de uma crise perpétua, a administração de Trump está tentando estabelecer uma base de operações políticas centrada no presidente demagogo e fora da estrutura existente do sistema de dois partidos. Ao demitir o ex-presidente do Partido Republicano, Reince Priebus, como chefe de gabinete e substituí-lo pelo Secretário do Departamento de Segurança Interna, John Kelly, Trump deu outro passo em direção ao seu objetivo de estabelecer um executivo personalista composto por um grupo íntimo de fascistas, generais, familiares e oligarcas bilionários.

O padrão das manobras de Trump nessa semana comprova que o ataque aos direitos LGBT é fundamental para essa estratégia.

Na quarta-feira, o Departamento de Justiça protocolou um parecer de “amigo do tribunal” em uma ação judicial particular em Nova Iorque argumentando que empresas podem demitir pessoas LGBT por causa da sua orientação sexual sobre a base pseudo-legal de que o Título VII da Lei de Direitos Civis de 1964 não protege pessoas LGBT. Após meio século marcado pela crescente aceitação social e avanços nos direitos legais de pessoas LGBT, milhões de trabalhadores LGBT estão novamente sob risco de demissão imediata por causa do seu status legal de segunda classe.

Mais cedo na quarta-feira, Donald Trump tuitou um anúncio que sua administração iria impedir pessoas transgêneras no serviço militar ‘‘em qualquer capacidade’’ pelos motivos reacionários que pessoas transgêneras geram custos excessivos para as forças armadas e pelos ‘‘transtornos que transgêneros nas forças armadas trariam. ’’

No mesmo dia, Trump anunciou a nomeação do Governador de Kansas, Sam Brownback, como embaixador itinerante para liberdade religiosa internacional. Essa manobra visa a trazer as organizações evangélicas e católicas que financiaram a breve campanha presidencial de Brownback em 2008 para um bloco com Trump. Depois de a Suprema Corte legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2015, Brownback emitiu uma ordem executiva que proibiu o governo estadual de processar ou punir igrejas que se recusassem a realizar casamentos e outros serviços sociais para pessoas LGBT.

Fontes da Casa Branca disseram ao Daily Beast que Trump e Bannon estão trabalhando em estreita colaboração com o Vice-Presidente Mike Pence, que possui os laços mais próximos às instituições evangélicas e que pessoalmente orquestrou os tuítes de proibição aos transgêneros. De acordo com fontes não identificadas, Trump, Pence e Bannon acharam que a manobra seria popular‘‘com sua base. ’’ O fato que assessores militares disseram que não foram consultados sobre os tuítes confirma o fato que os anúncios de política de quarta-feira foram concebidos dentro da Ala Oeste.

Os anúncios de política de quarta-feira foram posicionados entre dois discursos importantes, o primeiro na noite de terça-feira em Youngstown, Ohio, que definiu o tom político para as manobras. Prestando homenagem a ‘‘nossos valores, nossa cultura, nossas fronteiras, nossa civilização, e nosso grande estilo de vida americano, ’’ Trump disse a uma multidão agitada que ‘‘família e fé, não governo e burocracia, são a base da nossa sociedade. Na América não cultuamos ao governo, cultuamos a Deus. ’’Isso, da boca de um homem que nunca cultuou nada além de dinheiro e de si mesmo.

Falando ontem em Long Island, Nova Iorque, Trump dirigiu-se a outro de seus principais eleitorados: policiais e agentes de imigração. Ele anunciou uma grande intensificação das operações anti-imigração a serem realizadas sob o pretexto de lutar contra a quadrilha Salvadorenha MS-13.

‘‘Temos campos de matança manchados de sangue, ’’ disse Trump, descrevendo em detalhes macabros as táticas violentas da quadrilha. Policiais e agentes de imigração ‘‘estão libertando nossas cidades americanas, ’’ acrescentou, e disse aos agentes que ele adorava ver suspeitos de crimes ‘‘serem jogados no fundo da van da polícia. ’’ Ele apelou ao 1,1 milhão de policiais em tempo integral nos Estados Unidos, 50.000 agentes de patrulha da fronteira, e 20.000 agentes alfandegários e imigratórios do país: ‘‘Por favor não sejam gentis demais. ’’

A reposta oficial do Partido Democrata tem sido notavelmente contida, com críticas limitadas a argumentar que a proibição de transgêneros de Trump enfraqueceria as forças armadas.

Dada a significância dos ataques de Trump, o caráter atenuado da resposta do Partido Democrata contém uma advertência importante. Nenhum dos direitos democráticos adquiridos ao longo do século passado está seguro, desde que seu cumprimento seja deixado nas mãos de uma ou outra facção da classe dominante, estando vulneráveis a mudanças no clima político.

O Partido Democrata retirou todas as menções de questões democráticas como imigração, direitos LGBT, ou aborto do seu programa ‘‘Acordo Melhor,’’, anunciado na semana passada. Defendendo o novo programa, o líder da minoria democrata, Steny Hoyer disse para repórteres que questões sociais como direitos de pessoas LGBT ou imigrantes ‘‘não serão o foco’’ da nova agenda. ‘‘Essencialmente o que não queremos fazer é distrair pessoas...não queremos distrair nós mesmos. ’’ Em outras palavras, a liderança democrata está apelando à reação social e intolerância religiosa para ganhar votos nas eleições legislativas de 2018.

Diversos líderes do Partido Democrata expressaram preocupações sobre a omissão do “ Acordo Melhor ’’ em relação a quaisquer questões democráticas ou sociais, e muitos vão se opor ao ataque da administração de Trump aos direitos LGBT. Contudo, a decisão de promover um programa baseado em uma promessa de ‘‘combater agressivamente o comércio exterior injusto’’(como afirma o programa) somente irá inflamar o chauvinismo nacional e reforçar ainda mais as manobras de Trump.

A luta para defender direitos democráticos é urgente: os esforços de Trump para estabelecer um movimento fascista fundamentado em nacionalismo e intolerância religiosa ameaçam os direitos sociais de centenas de milhões de pessoas, não somente imigrantes e pessoas LGBT. Mas para combater a reação política, é necessário compreender suas raízes objetivas.

A reação política extrai sua força de um conjunto de relações econômicas e sociais que surgiram com base na expansão dramática da desigualdade social e concentração de riqueza sob o capitalismo. Após mais de 15 anos de guerra permanente travada pelos lucros das corporações americanas, as agências militares e de inteligência controlam os funcionários eleitos e determinam as políticas do governo. Confrontada com a crescente polarização social, a polícia está armada com armas militares que sobraram das guerras. Foi-lhe dada pelos tribunais licença para matar.

Uma vez que o crescimento do poder dos militares, da polícia, das igrejas, e das agências de deportação é o produto do crescimento da desigualdade, a luta pelos direitos democráticos deve basear-se na luta pela igualdade social. Tal luta deve envolver a entrada em atividade política da classe trabalhadora, a poderosa força social que produz toda a riqueza da sociedade sob capitalismo, mas que é explorada independentemente da sua raça, etnia, orientação sexual ou identidade de gênero.

A democracia genuína só pode ser alcançada através da abolição do capitalismo, o sistema de relações econômicas que dá origem à reação política em todas as suas manifestações inter-relacionadas. Somente com base na unidade da classe trabalhadora na luta pelo socialismo os direitos democráticos podem ser conquistados e preservados.

 



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