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Os 70 anos da bomba de Hiroshima

Por Peter Symonds
16 de setembro de 2015

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Publicado originalmente em inglês em 6 de Agosto de 2015

Há setenta anos, o bombardeiro B – 29, dos EUA, lançou uma bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima. A enorme explosão, equivalente a cerca de 13.000 toneladas de TNT, matou em algumas horas 80.000 pessoas, o mesmo que 30% da população, deixando a cidade devastada. Três dias depois, em 9 de Agosto de 1945, os EUA lançaram outra bomba atômica sobre a cidade de Nagasaki, matando mais 40.000 pessoas.

Nos dias que se seguiram à explosão, mais pessoas morrem devido aos ferimentos, inclusive pelos efeitos da radiação. Estima-se que tenham morrido entre 200.000 e 350.000 pessoas nos quatro meses seguintes aos dois ataques. Nos anos seguintes, como consequência da exposição à intensa radiação das bombas, as vítimas de leucemia e outros cânceres aumentaram ainda mais o número de mortes. Para aqueles que sobreviveram, as cenas do desastre deixaram enormes traumas.

A decisão de Washington de usar bombas atômicas sobre a população civil foi um ato criminoso de primeira ordem, derrubando de vez o mito dos EUA como país representante da democracia e de exemplo para o resto do mundo. Com esses ataques, o imperialismo americano assegurou sua dominação na Ásia com a mesma crueldade e desprezo pela vida humana que seu rival, anunciando ao mundo sua intenção em tornar-se o país hegemônico na era pós-guerra.

A magnitude dessas atrocidades é equivalente às mentiras usadas para defendê-las. Apesar de Hiroshima e Nagasaki possuírem algumas instalações militares e indústrias, o uso indiscriminado de tais armas de destruição em massa teve como objetivo chocar e apavorar não só os japoneses, mas o resto do mundo.

A principal justificativa do presidente Harry Truman, dos EUA, repetida até hoje, foi que as bombas foram lançadas para “salvar vidas”. Forçando a rendição imediata do Japão, dizem, a destruição das duas cidades evitou uma invasão americana ao Japão, que resultaria em um número muito maior de mortes de ambos os lados.

Cada detalhe desse argumento é falho ou falso. As estimativas das mortes causadas pela invasão americana foram propositalmente aumentadas para justificar o uso das armas nucleares. A administração Truman rejeitou a proposta de alguns cientistas que trabalharam na construção da bomba atômica para os bombardeios acontecerem em uma área desabitada.

Além disso, Tokyo já acenava sua rendição. A marinha e a força aérea japonesas foram em grande medida destruídas durante a guerra, e muito de sua indústria foi bombardeada pelos EUA. Eles já tinham demonstrado sua capacidade de destruição com o uso de dispositivos incendiários para espalhar ainda mais o fogo dos bombardeios. O bombardeio de Tóquio, em Março de 1945, por si só um crime de guerra sem precedentes, causou a morte estimada de 87.000 pessoas em apenas uma noite.

A Conferência de Potsdam, em Julho de 1945, com a participação dos EUA, Grã Bretanha e União Soviética, tinha decidido por um ultimato para o Japão “render-se incondicionalmente”. Depois do bombardeio à Hiroshima, no dia 8 de Agosto, a União Soviética invadiu a Manchúria, ocupada pelo Japão em 1931, iniciando sua participação na guerra do Pacífico. A decisão do presidente Truman de lançar a segunda bomba atômica contra Nagasaki, um dia depois, em 9 de Agosto, foi motivada pela vontade de Washington em fazer com que os EUA, e não a URSS, forçassem a rendição do Japão, anunciada em 15 de Agosto pelo Imperador Hirohito.

A bomba atômica lançada pelos EUA teve como objetivo não só causar pânico sobre o Japão, mas principalmente/sobretudo a União Soviética, assegurando sua hegemonia mundial depois do fim da guerra. A administração Truman rejeitou a proposta de soltar a bomba numa área inabitada não só porque queria mostrar ao mundo o seu enorme poder de destruição, mas sua determinação em usá-la contra a população civil.

Setenta anos depois, as tensões geopolíticas e o perigo de uma Terceira Guerra Mundial estão crescendo, ao mesmo tempo que as consequências econômicas da crise financeira de 2008 aumentam. As contradições fundamentais do capitalismo – entre a economia globalizada e os Estados-Nação, e a produção socializada e a propriedade privada dos meios de produção -, que levaram às duas Guerra Mundiais no século passado, estão, mais uma vez, criando as condições para outro confronto mundial.

Hoje, os EUA são a causa da desestabilização política do mundo. Desde o colapso da União Soviética, em 1991, Washington repetidamente recorreu ao seu poderio militar, seja no Oriente Médio, nos Balcãs ou na Ásia Central, para compensar seu declínio econômico. No último ano, suas ações assumiram um caráter ainda mais ameaçador, particularmente dirigidas à China e à Rússia.

Ao golpe fascista na Ucrânia, no ano passado, organizado pelos EUA e Alemanha, seguiu-se um crescimento das ações da OTAN na Europa do Leste numa clara provocação contra a Rússia, que aumentaram o risco de um conflito entre países com bombas nucleares. Na Ásia, a presença dos EUA em lugares como no Mar do Sul da China poderá levar a um confronto entre EUA e China.

Todas as potências imperialistas estão se preparando para a guerra. Alemanha e Japão estão cada vez mais deixando de lado as restrições do pós-guerra às suas forças armadas e remilitarizando-se. Ao mesmo tempo que isso acontece em aliança com os EUA, o imperialismo desses países possui interesses econômicos e estratégicos que podem leva-los a um confronto com Washington. Não pode ser deixado de lado que última guerra entre os EUA e o Japão aconteceu pela dominação da China e da Ásia.

A Segunda Guerra Mundial terminou com o lançamento de bombas atômicas. Uma Terceira Guerra Mundial necessariamente envolveria o uso de bombas atômicas muito mais destruidoras que as usadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Com planos de investir US$ 1 trilhão nos próximos 30 anos em seu arsenal militar e em seu sistema de lançamento, o imperialismo americano mostra sua determinação em aumentar sua supremacia nuclear.

A lição a ser tirada do lançamento das bombas atômicas sobre o Japão, há 70 anos, é que os EUA , e todos os países imperialistas, não pararão sua busca para satisfazerem seus interesses, mesmo que isso ameace a sobrevivência humana. A única força social capaz de prevenir outra catástrofe nuclear é a classe trabalhadora internacional através da luta revolucionária contra o sistema baseado na propriedade privada dos meios de produção e no lucro. Essa é a importância da campanha levantada pelo Comitê Internacional da Quarta Internacional e suas seções ao redor do mundo, que tem o objetivo de construir um movimento mundial antiguerra de trabalhadores baseado no internacionalismo socialista.

 



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