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A Bancarrota da Chrysler

Por Tom Eley e Barry Grey
11 de maio de 2009

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Publicado originalmente em inglês no WSWS no dia 2 de maio de 2009

Na quinta-feira, dia 30/04, o presidente dos EUA, Barack Obama, informou numa conferência à imprensa que a terceira maior montadora de veículos do país, a Chrysler, seria incluída no Capítulo 11 da constituição dos EUA, ou seja, no capítulo que diz respeito às concordatas. Obama afirmou que tal medida “salvaria os empregos” e que o processo seria, assim, rápido e indolor.

Dentro de poucas horas, tais palavras se revelaram como mentiras. Todas as plantas da Chrysler serão fechadas durante o processo de concordata e ao menos seis plantas serão fechadas permanentemente. Enquanto isso, alguns analistas afirmam que a concordata da Chrysler pode se enrolar na instância jurídica, vislumbrado uma completa liquidação da empresa. Muitos operários da Chrysler jamais pisarão novamente nas plantas em que trabalharam.

Nos seus comentários de quinta-feira, Obama tratou os “hedge funds” e um punhado de acionistas como os bodes expiatórios de todo o processo, pois não permitiram à Chrysler sanar seu débito. Trata-se de uma cortina de fumaça. Na verdade, foi a gestão Obama que conduziu a Chrysler diretamente à bancarrota.

A administração Obama, conjuntamente com o United Auto Workers (UAW, principal central sindical dos metalúrgicos dos EUA), com a Chrysler e a FIAT, levantou a ameaça da falência da empresa para forçar os trabalhadores a fazer enormes concessões de todos os tipos e, logo em seguida, encaminhou a empresa à concordata.

O UAW desempenhou um papel fundamental em todos esse processo conspiratório, trabalhando conscientemente para acabar com a resistência dos trabalhadores.

Em um relato para a imprensa, executivos do UAW não explicaram aos traballhadores como suas falsas promesas nas defesas das concessões reverteriam a falência e salvariam os empregos.

Caso a Chrysler contorne a bancarrota, o UAW será o maior acionista da montadora. O que também siginificará quase 40% das ações da GM, que também enfrenta a bancarrota.

Tais eventos revelam que o UAW é um sindicato apenas em seu nome. Na verdade, é uma balcão de negócios da burguesia, permitindo o aumento da exploração e a destruição da classe trabalhadora.

A transformação do UAW em uma empresa com interesses coorporativos é fruto de um processo histórico de décadas.

Na medida em que os trabalhadores resistirem à destruição de seus empregos, níveis de vida e condições de trabalho, encontrarão um inimigo muito maior do que o UAW. É muito ruim que tais lutas - que precisam, desde já, ganhar o caráter de comitês de trabalhadores independentes do UAW - tenham por base a experiência tirada do desastre atual.

Existem muitos componentes interrelacionados que levam à compreensão da falência do UAW como um órgão da classe trabaladora e sua conversão em um instrumento da exploração capitalista. Tais componentes são:

* Defesa do capitalismo e oposição ao socialismo: nas grandes lutas travadas nos anos 30 - que fizeram surgir o UAW - os trabalhadores mais militantes foram influenciados pelas idéias socialistas. No entanto, pouco depois o sindicato abandonou qualquer perspectiva no sentido de uma transformação radical da sociedade. Após a II Guerra Mundial, quando os EUA emergiram como potência capitalista dominante, o UAW alinhou-se à elite do país na busca por uma hegemonia política mundial. Assim se explica seu apoio às políticas da chamada Guerra Fria e à caça-às-bruxas anti-comunista. O UAW levou a cabo uma perseguição aos elementos mais radicais e socialistas que tiveram um papel importante na fundação da própria entidade.

A burocracia sindical que se consolidou com tal política reacionária identificou seus interesses com o lucro das Três Grandes montadoras dos EUA (GM, Chrysler e Ford). Assim que surgiu e se aprofundou a crise, tais interesses vieram à tona claramente. O UAW, hoje, colabora abertamente com a destruição dos empregos e condições de vida dos trabalhadores.

* Nacionalismo: A identificação dos interesses dos trabalhadores com o dos patrões transparece no nacionalismo do UAW. O UAW rejeita o princípio fundamental de que os trabalhadores de todo o mundo devem se unir para lutar por seu direitos. Na medida em que a economia mundial se tornou uma só, integrada e dominada por coorporações transnacionais que rodam o mundo em busca do trabalho mais barato, a orientação nacionalista do UAW provou ser um obstáculo aos trabalhadores. Ao invés de pressionar a burguesia por concessões aos trabalhadores, o UAW passou a pressionar os trabalhadores por concessões à burguesia. Jogou os trabalhadores contra seus irmão canadenses, mexicanos, europeus ou japoneses, insistindo que deveriam aceitar salários mais baixos e cortes de empregos para manter as “suas” empresas americanas mais competitivas.

*Aliança com o Partido Democrata: Em meio às lutas que estabeleceram o UAW - como as sit-down strikes em Flint e outras cidades - a direção do UAW rejeitou a luta pela independência política e organizativa da classe operária, atando os trabalhadores ao Partido Democrata. Tal é a expressão política de sua defesa do capitalismo.

Isso impediu que os trabalhadores opusessem efetivamente suas políticas à classe dominante, numa ofensiva que que se extendeu por mais de três décadas, iniciada com o resgate da Chrysler em 1979-1980, tanto sob os Democratas quanto sob os Republicanos.

Tal política culminou na eleição de Obama. A aliança do sindicato com o Partido Democrata toma agora a forma de uma frente sindical em defesa do governo Obama. Assim, o UAW impõe a redução dos salários de forma jamais vista desde a grande depressão da década de 1930.

É mais que necessário tirar as conclusões corretas de toda a experiência que agora culminou na bancarrota da Chrysler (e logo a da GM).

Os trabalhadores precisam reavivar as tradições militantes das gerações passadas. Devem lutar para construir comitês de fábrica e de regiões de trabalho para organizar manifestações, greves e ocupações de fábricas contra as demissões, fechamentos de plantas e contratos de vendas das empresas, impostos pelo UAW. Os trabalhadores devem fazer um chamado para os outros metalúrgicos dos EUA, Canadá, México, Europa e Ásia para se unirem numa luta comum.

Isso está acima de qualquer luta. Deve ser erguida uma nova perspectiva política. Os trabalhadores devem romper com o Partido Democrata e com o sitema de bi-partidarismo e lutar pela construção de um partido socialista de massas da classe trabalhadora. Somente com um partido próprio dos trabalhadores, lutando por um governo dos trabalhadores, é possível superar realmente a crise econômica.

[traduzido por movimentonn.org]

 



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