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Uma homenagem à campanha eleitoral do SEP - Sri Lanka

Por Peter Symonds
25 de fevereiro de 2009

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Publicado originalmente em inglês no nosso site em 19 de fevereiro de 2009.

O Site Socialista de Interligação Mundial (wsws.org) presta uma homenagem à campanha, corajosa e principista, que o Socialist Equality Party (Partido da Igualdade Socialista) acabou de realizar nas eleições para província no Sri Lanka, sob condições de uma guerra civil, repressão do Estado e comunalismo. Este é um exemplo inspirador da luta pelo internacionalismo socialista, além de uma refutação direta a todos aqueles que insistem em dizer que é impossível lutar por tal programa em um mundo tão fragmentado por uma miríade de divisões nacionais, étnicas, linguísticas e tribais.

A questão primordial era a guerra do governo contra o grupo separatista Tigres da Libertação do Tamil Eelam (Liberation Tigers of Tamil Eelam, LTTE). O conflito de 25 anos não apenas tirou a vida de mais de 70.000 pessoas, levando morte e destruição a grande parte do norte e leste do país, como também tem permeado todos os aspectos da vida. Uma lembrança física constante é a presença de postos de controle povoados por tropas altamente armadas ao longo de toda a ilha e a constante ameaça de uma detenção arbitrária, principalmente para os Tamils. A vida política é dominada pelos grandes partidos e a mídia, que estão, de uma forma ou de outra, completamente afundados na lama da política comunal e apoiam a guerra ativamente.

O SEP foi o único partido que se opôs à guerra e exigiu a retirada imediata e incondicional das tropas do norte e do leste. Seus candidatos desafiaram diretamente a alegação do Presidente Mahinda Rajapakse de que ele estava travando uma guerra ao terrorismo. O SEP mostrou que as raízes da guerra foram colocadas durante décadas de discriminação contra os Tamil por parte de sucessivos governos Colombo. Longe de lutar por paz e democracia, o governo insiste em travar uma guerra para assegurar o predomínio das elites Sinhala através da manutenção de um Estado budista desta etnia.

Ao mesmo tempo, o SEP não deu nenhum apoio político ao LTTE e a seu programa separatista Tamil. O LTTE nunca representou os interesses da população trabalhadora, mas aqueles de setores da burguesia Tamil. Desde o princípio, o LTTE rejeitou uma luta política pela unidade das massas e reivindicou, em seu lugar, um micro-Estado Tamil, que nunca teve nenhum princípio econômico viável. A adoração do LTTE pela luta armada era acompanhada da eliminação física de seus oponentes e do massacre irracional dos civis Sinhala, fato que jogou totalmente a favor da supremacia Sinhala em Colombo.

O SEP levantou um programa para unificar a classe trabalhadora e estabelecer sua independência política de todas as facções da burguesia cingalesa. Seus candidatos esclareceram que a guerra e o uso da política comunal sempre foram dirigidos a dividir os trabalhadores e sustentar o Estado capitalista. A guerra havia sido acompanhada por um incansável ataque aos níveis de vida dos trabalhadores através de reestruturações pró-mercado. A única forma de se acabar com a guerra, com os ataques aos direitos democráticos e com o abismo crescente entre ricos e pobres é através da luta por um governo operário e camponês baseado em políticas socialistas, uma República Socialista do Sri Lanka e Eelam como parte da União dos Estados Socialistas do Sul da Ásia.

A luta pelo socialismo internacionalista no Sri Lanka sempre requereu um alto nível de coragem política e, de fato, física. Desde seu início como Liga Comunista Revolucionária, em 1968, o partido esteve sob fogo cruzado. Seis de seus membros foram mortos, tanto pelo aparato do Estado quando por pistoleiros chauvinistas de Janatha Vimukthi Peramuna (JVP). Cada membro do partido já sofreu mais do que lhe cabe em ameaças, violência física e perseguição. Para nomear apenas dois, os membros do Comitê Editorial Internacional do WSWS: o secretário geral do SEP Wije Dias foi encarcerado por 51 dias em 1987 pelo crime de defender políticas revolucionárias e K. Ratnayake teve sua casa incendiada até o chão por capangas governistas em meio ao pogrom anti-Tamil de 1983, que marcou o início da guerra.

As eleições na semana passada ocorreram sob uma nuvem de intimidações, assédio político e repressão estatal. Rajapakse e seus ministros estigmatizaram os críticos, trabalhadores em greve e estudantes que protestavam como Tigres terroristas. Esta ameaça não é sem propósito. Centenas de pessoas foram assassinadas por esquadrões da morte que operavam em conspiração com forças de segurança. Em Agosto de 2006, o apoiador do SEP Sivapragasam Mariyadas foi baleado em Mullipothana, no distrito de Trincomalee no leste. Em Março de 2007, o membro do SEP Nadarajah Wimaleswaran e seu amigo, Sivanathan Mathivathanan, desapareceram em um posto de controle naval na ilha de Kayts no norte. Apesar de uma campanha determinada do SEP, o governo e as forças armadas se esquivaram e recusaram-se a providenciar qualquer informação sobre os dois homens.

Sob tal clima político, a pressão constante é para que se tome o caminho mais seguro, adaptar-se à situação prevalecente e encontrar um lugar nos círculos dos partidos nacionais burgueses. O Sri Lanka tem a sua parte de grupos de radicais de classe-média, como o Partido Sama Samaja, cuja história inteira resume-se em promover ilusões em um ou outro grande partido da burguesia, das quais todas provaram-se falsas. A LCR foi fundada em oposição direta a essas concepções, que encontraram sua forma mais desenvolvida na traição do Partido Lanka Sama Samaja (LSSP), quando este abandonou abertamente os princípios o trotskimo e juntou-se ao governo burguês da Madame Sirima Bandaranaike em 1964.

A base do programa do SEP é a Teoria da Revolução Permanente de Trotski, que defende que, em países de desenvolvimento capitalista atrasado, como o Sri Lanka, a burguesia é organicamente incapaz de levar adiante um papel progressista. Apenas a classe trabalhadora, mobilizando as massas camponesas atrás de si, pode cumprir as tarefas democráticas incompletas, incluindo uma radical reforma agrária, e dar início a uma transformação socialista da sociedade como parte integral da revolução socialista mundial. Tal perspectiva foi confirmada positivamente na Revolução Russa de 1917 e centenas de vezes negativamente por toda a Ásia, África, Oriente Médio e América Latina. Por todo o século XX, a propaganda feita por vários partidos stalinistas e oportunistas das qualidades progressistas deste ou daquele líder ou partido burguês levaram a um desastre após o outro para a classe trabalhadora, a começar pela trágica derrota da Revolução Chinesa de 1925-1927.

A prolongada luta do SEP por uma perspectiva de bases científica começa a se vincular com as experiências dos trabalhadores e da juventude, uma vez que uma crise do capitalismo global gera um novo interesse em políticas revolucionárias. Enquanto a campanha eleitoral oficial no Sri Lanka era dominada pelo militarismo e pela política comunal divisora, o programa do SEP tocou alguns daqueles que buscavam uma alternativa ao desastre criado por sucessivos governos em Colombo. Apesar de décadas de propaganda racial, a grande maioria dos trabalhadores - Sinhala, Tamil e Muçulmanos - mantêm um senso elementar de solidariedade de classe e são hostis à guerra. Daqueles que votaram no governo, muitos o fizeram na falsa esperança de que a derrota dos LTTE levaria ao fim do conflito comunal e a alguma melhora em suas vidas.

O significado politico da campanha do SEP, no entanto, vai muito além do Sri Lanka. Sua perspectiva de uma União dos Estados Socialistas do Sul da Ásia tem relevância imediata aos jovens e trabalhadores de todo assim chamado Terceiro Mundo. Da mesma forma que os conflitos no Sul da Ásia podem ser remetidos às ocupações de 1947-1948 que dividiram o subcontinente, as tensões étnicas, comunais e tribais e guerras que destruíram outras partes do globo também têm suas raízes nos acordos do pós-guerra (Segunda Guerra) que acabaram com os antigos impérios coloniais.

Em todos os casos, as elites dominantes locais receberam sua independência em troca da garantia de salvaguardarem os interesses econômicos e estratégicos de seus antigos mestres coloniais. O retalhamento arbitrário de fronteiras nacionais estabelecido pela divisão colonial do continente africano ou imposto ao Oriente Médio após o colapso do império otomano tem sido uma fonte ininterrupta de atritos e conflitos. País após país, os representantes políticos da burguesia aceitaram essas fronteiras e manipularam vergonhosamente as divisões tribais, linguísticas e étnicas para estabelecerem uma base para seu próprio domínio.

Durante a Guerra Fria, essas diversas elites foram capazes de se equilibrar entre o imperialismo e o bloco soviético. Apoiados pelos stalinistas soviéticos e chineses em suas próprias causas oportunistas, líderes como Sukarno na Indonésia, Gamal Abdel Nasser no Egito e Julius Nyerere na Tanzânia cobriram-se de uma coloração socialista e anti-imperialista. Suas manobras, porém, acabavam invariavelmente em desastre. Após o colapso da União Soviética, a lógica de todas as correntes do nacionalismo burguês tornou-se evidente de imediato. Um após o outro, todos os proponentes da luta armada e libertação nacional, desde a OLP no Oriente Médio à ANC na África do Sul, fizeram sua paz com o imperialismo, trocaram suas fardas militares por ternos executivos e abraçaram o mercado capitalista.

O SEP é o único partido que lutou corajosamente sob a bandeira da Quarta Internacional pelos princípios do socialismo internacional e recusou-se a curvar-se diante dos assim chamados ícones da luta anti-imperialista. Sua campanha eleitoral fortaleceu objetivamente a unidade da classe trabalhadora no Sri Lanka e no mundo ao apontar um caminho político claro para sair do pântano da pobreza, atraso econômico e conflitos fratricidas que são o legado de 60 anos de domínio burguês nas regiões subdesenvolvidas no planeta.

Convocamos todos os jovens e trabalhadores a estudar o programa do SEP cuidadosamente, assim como seus longos registros de luta política e a juntarem-se e construírem o SEP e novas seções do Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI) como a nova direção revolucionária da classe trabalhadora na Ásia, África, Oriente Médio e América Latina.

[traduzido por movimentonn.org]

 



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