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Grosseira tentativa de equiparar o anti-sionismo ao anti-semitismo

Por Jean Shaoul
10 Enero 2004

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Recente artigo publicado no jornal britânico o Guardian, fornece perverso exemplo de um esforço concentrado e orquestrado pelo poder político sionista no sentido de degradar qualquer crítica à sua política assassina em relação ao povo palestino.

Em artigo de segunda página intitulado Anti-sionismo é anti-semitismo: por trás da maior parte da critica a Israel há um tênue véu de ódio aos judeus, Emanuele Ottolenghi tenta equiparar qualquer oposição ao sionismo e às políticas colonialistas de Israel, igualando-a ao ódio aos israelenses em geral e ao infame e reacionário anti-semitismo dos nazistas em particular.

Ottolenghi exerce função não remunerada no Oxford Centre for Hebrew and Jewish Studies e no Middle East Centre do St. Anthony´s College, Oxford, mantidos por particulares. Mas nenhum esforço de imaginação em seu artigo pode ser descrito como um trabalho inteligente. É uma tentativa em favor dos apoiadores internacionais de Israel de silenciar a oposição ao regime de Ariel Sharon e de legitimar a política do Grande Israel e de brutalidade para com um povo que absolutamente nenhuma responsabilidade tem pelo Holocausto, evocado por Ottolenghi à guisa de um porrete contra os que se opõem ao sionismo.

Seu artigo propõe total absolvição dos crimes de Israel contra os palestinos, e carta branca para Sharon fazer o que bem entender. Recorrendo a uma amálgama de presunções, Ottolenghi relaciona quem quer que critique o Estado de Israel ao anti-semitismo, sem consideração por seus pontos de vista. No tocante a Ottolenghi, não se permite observar que as políticas de Israel relativas aos palestinos são reminiscências daquelas empregadas pelos nazistas. A equação entre vítimas e assassinos, afirma ele, nega o Holocausto. “Pior ainda, fornece justificação retroativa para o Holocausto, pois se os judeus se revelassem bastante maus, talvez merecessem o que recebem,” continua ele.

Este argumento equivaleu a criar uma história sem base em fatos. Alguém não tem de negar o extermínio dos judeus europeus nas câmaras de gás nazistas para dizer que a expropriação, a subjugação e a segregação do povo palestino por Israel encerram uma chocante semelhança com as políticas nazistas em relação aos judeus. Reconhecer este fato não é equiparar as ações criminosas dos sionistas contra palestinos ao Holocausto, que representava um barbarismo em escala muito maior. Mas, legitimamente, identifica o que constitui trágica ironia histórica—que o povo judeu, por tão longo tempo associado com a luta pelo progresso social e contra todas as formas de discriminação, racismo e opressão, poderia, por sua vez, estar perpetrando grosseiras violações dos direitos humanos contra um povo oprimido. Na verdade, tais comentários são freqüentemente articulados como um apelo ao sentido judeu de história e de consciência social—algo que será desperdiçado em políticos criminosos do jaez de Sharon e seus apologistas.

O governo Sharon e o sistema sionista de poder rotineiramente recorrem a mentiras, asseverando que seus oponentes são anti-semitas. Ottolenghi acompanha-os ao inventar um “contra-argumento” de uma imaginária acusação tresandando a racismo.

“Os judeus defensores de Israel são representados por seus críticos como se procurassem uma desculpa para justificar este país, projetando a paranóia judia e mostrando um traço `típico´ de judeu ´apegando-se um ao outro´, até mesmo defendendo o moralmente indefensável.”

Mais tarde ele arrola o que alega serem temas anti-semitas usados repetidamente por anti-sionistas—“a conspiração judia para dominar o mundo, relacionando judeus ao dinheiro e à mídia, o judeu avarento de nariz adunco, o libelo de sangue, o aviltante uso de símbolos judeus, ou o imaginário cristão anti-judeu—empregados para descrédito das ações de Israel”.

Quem diz isto? Ottolenghi jamais cita um exemplo concreto sequer, exceto ao reportar-se a uma caricatura italiana e à referência de Tam Dalyell, membro trabalhista britânico do parlamento, à “cabala judia” que influiria na política externa da Grã-Bretanha. Este autor não pode comprovar a legitimidade da caricatura por ele citada, mas o World Socialista Web Site tem escrito sobre o ataque a Dalyell (Ver “Britain: Labour extends antiwar witch-hunt to Dan Dalyell”). Entretanto, mensagem essencial é que todos anti-sionistas “repetidamente” recorrem a rudes ataques anti-semitas. Entrementes, ele não pôde encontrar nenhuma prova de todas essas afirmações.

As alegações de Ottolenghi são fundamentalmente desonestas e contraditadas pelo fato de que muitos críticos do brutal tratamento dos palestinos por Sharon são por sua vez israelenses e judeus. Para citar apenas um exemplo, mais de 100.000 judeus israelenses, aterrorizados pelas ações de Sharon, compareceram a um comício em novembro comemorativo do oitavo aniversário do assassinato do primeiro-ministro Yitzakh Rabin por um direitista fanático. Os participantes da demonstração carregavam bandeiras condenando a ocupação e pediam paz.

Ele responde aos críticos judeus do sionismo de forma típica, reclamando que são eles essencialmente traidores elogiados pelo lobby anti-sionista e anti-semita, precisamente porque se venderam. “Judeus condenando Israel e rejeitando o sionismo recebem seus louvores. Denunciar Israel transforma-se em passaporte para completa integração. Noam Chomsky e seus imitadores são novos heróis, seu orgulho e identidade de judeus se expressam unicamente através de sua vergonha pela existência de Israel.”

O Holocausto e o Estado Sionista

Aqui se encontra o âmago da argumentação de Ottolenghi. Ser judeu é conseqüentemente ser sionista. Sua asserção de que anti-sionismo é anti-semitismo fundamenta-se na identificação entre as ações do Estado de Israel e os interesses do povo judeu como um todo. Tal equação é histórica e factualmente incorreta.

O Holocausto foi uma experiência seminal histórica não apenas para os judeus, mas para todo o povo trabalhador do mundo. Constitui o exemplo isolado mais grotesco do barbarismo fascista durante a II Guerra Mundial.

Em oposição à experiência da ruína econômica germânica em seqüência à I Guerra Mundial, Hitler começou construir uma base política de massa para seu partido entre as camadas pequeno-burguesas e os trabalhadores lumpen, apontando como bodes expiatórios os judeus que seriam, segundo ele, os responsáveis pelo declínio de seu padrão de vida. Hitler certamente recorreu a ataques populistas aos “usurários” judeus e homens de negócio, mas seu ódio dos judeus ligava-se a seu temor do marxismo e do poderoso movimento socialista germânico, no qual os trabalhadores e intelectuais judeus desempenhavam um papel proeminente real.

A derrota do fascismo e a luta contra o anti-semitismo estavam, portanto, ligadas a uma ofensiva política da classe operária não apenas contra o fascismo mas contra toda ordem burguesa. Mas evitou-se que tal acontecesse pela traição combinada do stalinismo e da social-democracia a desorientarem milhões de trabalhadores que se opunham ao nazismo, permitindo a Hitler, destarte, empolgar o poder.

Os sionistas tinham uma perspectiva muito diferente. Insistiam que o anti-semitismo que impulsionou o Holocausto só poderia encontrar resposta na remoção do povo judeu para sua pátria bíblica e na criação de seu próprio estado. Para os sionistas, a solução proposta ao proletariado e à intelligentsia israelitas consistia em estabelecer um novo estado capitalista, não congregando seus próprios irmãos e irmãs de classe na luta para pôr fim ao capitalismo.

A instituição do Estado de Israel em 1948 firmava-se em decisões e maquinações das potências principais no seio das Nações Unidas. Era vista com simpatia por milhões de pessoas mundo afora, horrorizadas com a catástrofe que atingira os judeus, e igualmente acompanhada pela retórica que tentava identificar o sionismo com o movimento trabalhista, com a igualdade, como forma de legitimação aos olhos dos judeus conscientes de suas afinidades de classe. Assim, os horrores dos campos de concentração desempenharam papel crucial no nascimento de Israel.

A prática histórica e política de Israel

Mas o que se discute agora são as ações históricas e políticas do sionismo, cujo exame Ottolenghi tenta descartar. Para ele qualquer avaliação objetiva do que o Estado de Israel tem realizado constitui desmedido anti-semitismo. Tal atitude serve a um propósito definido. A inabilidade em examinar a historia de Israel sem suscitar o espectro de anti-semitismo e do Holocausto não é somente uma mácula no arrazoado de suas críticas. Daí torná-lo incapaz de entender qualquer coisa politicamente.

Ottolenghi reclama que a crítica a Israel é anti-semítica porque destaca Israel para um “impossível julgamento de alto nível” não aplicado alhures. Esta alegação tem a finalidade de desviar a atenção do assunto. As pessoas têm todo direito de “discriminar” um país que ilegalmente ocupa territórios palestinos e brutalmente oprime seu povo, particularmente quando ele conta com o apoio político e militar dos Estados Unidos—o qual, por sua vez, representa um dos muitos crimes da maior potência imperialista do mundo.

Para o articulista, “Israel comete erros semelhantes ao das demais nações, e isto é normal”. Afirma, “Israel merece julgamento nos mesmos padrões aplicados a outros paises, não sob padrões utópicos”. O World Socialist Web Site concorda com o último ponto. Examinemos as evidências.

A fundação de Israel foi executada através da expulsão forçada dos palestinos nativos. Não foi o resultado de uma guerra que levasse o povo a fugir de seus lares, mas a explícita política de progenitores políticos do atual governo Likud—com a aquiescência dos fundadores e do primeiro-ministro David ben Gurion, segundo reconhecem historiadores israelenses.

Desde então, Israel envolveu-se em numerosas guerras, inclusive em algumas não provocadas contra outros paises: Egito em 1956, Líbano, em 1978 e 1982. Israel tem abertamente desafiado numerosas resoluções das Nações Unidas. E repetidamente desrespeita o Direito Internacional em relação à Cisjordânia e à faixa de Gaza, que vem ocupando ilegalmente desde 1967. Apropriou-se de territórios, inclusive no leste de Jerusalém, terras e aldeias para mais de 200 assentamentos.

As forças armadas de Israel têm empreendido repetidas incursões em cidades da Palestina. Elas e os colonizadores sionistas mataram mais de 2.500 palestinos, a grande maioria dos quais civis desarmados e muitas crianças, desde o início da intifada em setembro de 2000.

Como um dos mais violentos governos do mundo, Israel tem demolido residências populares, destruído explorações agrícolas e erradicado olivais, impondo toques de recolher, mutilando a economia palestina e levando o povo à beira da inanição. Israel regularmente detém indivíduos sem julgamento. A tortura e o tratamento desumanos são rotina. Israel tem exilado populares. Declarou uma política de assassínios de opositores.

A política de Israel de fechar estradas não apenas saindo da Cisjordânia mas também dentro da mesma zona e da faixa de Gaza, juntamente com sua infame muralha de segurança que separa a Cisjordânia de Israel, criou um gueto para os palestinos. As condições para a vasta maioria daqueles que vivem na faixa de Gaza, separando-a de Israel por meio de cerca eletrificada, negando-lhes meios de subsistência, lembram um gigantesco campo de concentração.

Israel é um estado dotado de armas nucleares que se recusa a assinar o tratado de não proliferação nuclear ou a permitir inspetores internacionais com o objetivo de examinar suas instalações. Contudo, todos sabem que Israel desenvolveu mais de 200 de tais armas e tem um extenso programa de artefatos bélicos químicos e biológicos. Se as armas nucleares de Israel foram subtraídas do conhecimento público até agora é porque Israel serve de guarda avançada dos interesses dos Estados Unidos no Oriente Médio. Até já se afirmou que a aviação israelense assestaria golpe preventivo contra o Irã, a exemplo do que fez em relação ao Iraque em 1981.

Os Estados Unidos financiam Israel no montante de bilhões de dólares anuais desde décadas na forma de ajuda militar, cuja maior parte é despendida no país financiador.

Israel é o único país no mundo sob a direção de um homem que sua própria comissão judiciária declarou pessoalmente responsável por deixar de proteger os campos de refugiados palestinos de Shabra e Shatilla contra os bandos assassinos falangistas libaneses em 1982, portanto julgando-o incapaz de exercer o cargo de ministro de estado. Sharon lidera um governo que se apóia em partidos de extrema-direita abertamente clamando por limpeza étnica sob o eufemismo de “transferência populacional”.

Dentro do próprio Israel, o governo pratica uma política de apartheid para com os palestinos, reminiscência do infame regime homônimo da África do Sul. Discrimina os cidadãos árabes, reduz seus direitos políticos e nega-lhes parte justa dos recursos econômicos e a assistência social. Recentemente aprovou legislação recusando aos israelenses que casam com palestinos, na Cisjordânia e na faixa de Gaza, o direito de viverem com seus cônjuges em Israel.

O governo de Sharon não representa os interesses da maioria do povo judeu vivendo em Israel, muito menos dos judeus de todo o mundo. Representa politicamente um setor da elite financeira israelense e, por procuração, a administração Bush dos Estados Unidos.

Mais de 10% da força de trabalho israelense estão desempregados e parcela muito maior empobrecida. O governo de Sharon persegue uma política incansável de ataque ao trabalho, ao padrão de vida e à segurança social, numa tentativa clara de transferir os ônus do temerário declínio econômico de Israel, conseqüência da recessão mundial e do impacto da intifada palestina nas costas dos trabalhadores e de suas famílias. Benyamin Netanyahu, ministro da economia, recentemente anunciou a introdução de leis restritivas do direito de greve no setor público e o esfacelamento da previdência social.

Os fatos demonstram que Israel merece a condenação mundial por suas notórias violações das leis internacionais e sua política brutal e repressiva.

O Estado Sionista e o Ressurgimento do Anti-semitismo na Europa

Ottolenghi acerta uma vez quando admite corretamente, “Não há dúvida que o anti-semitismo recente está ligado ao conflito palestino-israelense.”

Não obstante, ele prontamente se nega a admitir a realidade quando insiste que alguém, de uma de outra forma, que chegue à conclusões políticas a respeito do caráter e a da viabilidade do projeto sionista, ou que, ainda, não preste incondicional apoio a Israel, é um anti-semita: “O argumento de que esse é o comportamento de Israel e o apoio judeu que atraem preconceito no mínimo soa falso e é sinistro. Essa premissa significa que a simpatia pelos judeus está condicionada à percepção que eles esposam. Dificilmente é uma expressão de tolerância. Discrimina os judeus. É anti-semitismo.”

Inquestionavelmente, um dos mais potentes fatores que reaviva o anti-semitismo hoje é os métodos brutais adotados pelo governo israelense sob a direção de Sharon. Relatório da União Européia que vazou revela aumento no número de ataques a judeus da parte de jovens muçulmanos europeus. O documento, compilado pelo Centro Europeu de Monitoramento do Racismo e da Xenofobia, associa o aumento dos ataques a judeus aos eventos no Oriente Médio, particularmente desde o início da intifada palestina em setembro de 2000 e do ataque de Jenin, na Cisjordânia, em abril do ano passado.

Reconhecer este fato não significa endossar pontos de vista anti-semitas ou defender aqueles que os perfilham. Mas não se deve desconhecer o ingrediente político principal da ameaçadora emergência do anti-semitismo, amiúde no seio de uma segunda geração politicamente deseducada de imigrantes árabes e africanos. Só se pode combater tão nocivo desenvolvimento oferecendo oposição de princípios, tanto ao estado sionista quanto àqueles líderes burgueses fundamentalistas islâmicos e árabes, que recorrem ao anti-semitismo populista na manipulação do descontentamento público. Silenciar diante dos crimes de Sharon ou, pior ainda, desculpá-los como o faz Ottolenghi, apenas fomenta o anti-semitismo.

E também fortalece as forças de direita em escala mundial.

O governo de Sharon apóia-se em dois partidos fascistóides, um alicerçado nos vândalos da direita e assassinos que habitam os assentamentos nos territórios ocupados e outro que abertamente promete a “transferência” dos palestinos da Cisjordânia e da faixa de Gaza. Sua sobrevivência está inteiramente na dependência da administração Bush e de empréstimos e ajuda militares de bilhões de dólares.

Há uma aliança crescente entre a ala de direita sionista e a extrema-direita cristã fundamentalista nos Estados Unidos. A direita sionista alinhou-se—firmada no chauvinismo árabe e na agressão contra o Iraque—com grupos nos Estados Unidos e também na Europa que têm uma longa história de anti-semitismo. Faz apenas algumas semanas, Sharon recebeu a visita de seus mais ardentes suportes na Europa, Sílvio Berlusconi, o primeiro-ministro da Itália que provocou manchetes e desencadeou afrontas recentemente ao erguer-se em defesa de Mussolini, o ditador fascista, proclamando que “Mussolini jamais matou alguém. Mussolini costumava mandar indivíduos de férias em exílio interno.” Em 25 de novembro, Sharon não deixou por menos: hospedou Gianfranco Fini, o líder da Aliança Nacional, herdeiro político do partido fascista de Mussolini.

Nos meados dos anos 1990s, Fini ainda descrevia Mussolini como “o maior estadista do século 20.” Agora, ele condena o que chama de “o vergonhoso capítulo na história de nosso povo”. Mas o que realmente o valoriza perante Sharon é o apoio a Israel para a repressão dos palestinos e a construção do muro. No que toca a Sharon, hoje o apoio a Israel oblitera qualquer bafejo de anti-semitismo, mesmo para apoiadores de fascistas que procuraram exterminar os judeus europeus.

Que o estado sionista buscasse tais aliados e se tornasse um dos maiores fomentadores da proliferação do anti-semitismo é realmente outra das trágicas ironias da história. Tão reacionários resultados é um gritante contraste partindo de um abrigo seguro, livre da opressão e discriminação, que a criação de Israel parecia oferecer aos judeus após a II Guerra Mundial e o Holocausto. Mas eles são o produto inevitável do projeto sionista de estabelecer um estado capitalista criado através da expropriação de outro povo e mantido pela guerra e a repressão externa, pela exploração social e as desigualdades domésticas. É impossível para um estado assim constituído prover os fundamentos necessários ao estabelecimento da justiça social e da igualdade, até mesmo em benefício de seus próprios cidadãos.

A falência do projeto sionista não resulta de quaisquer imperfeições da parte do povo judeu, mas de uma expressão da ruína de todos os movimentos no Médio Oriente, na África e na Ásia, que se têm baseado na perspectiva de um nacionalismo para solução problemas sociais, econômicos e políticos fundamentais em confronto com o povo trabalhador.

É tempo de reconhecer que o sionismo tem sido um experimento terrível e falho. Sua continuação augura unicamente maior opressão, tanto para os palestinos quanto para os israelenses, prenunciando também a mais dolorosa guerra.

A única saída do atual impasse é o desenvolvimento de um movimento político em prol da união dos trabalhadores e intelectuais árabes e judeus numa luta comum contra o capitalismo e pela construção de uma sociedade socialista. Esta vertente proporcionará o único caminho para reparar as injustiças históricas sofridas pelos trabalhadores e camponeses palestinos, e porá termo aos males gêmeos da opressão e da guerra, alimentados pela busca do lucro, ao mesmo tempo do capital internacional e das camarilhas dirigentes nacionais israelenses e árabes. A criação dos Estados Socialistas Unidos do Oriente Médio removeria as fronteiras artificiais impostas através das intrigas imperialistas que no presente dividem os povos e as economias regionais, de forma que seus recursos satisfaçam as aspirações sociais, econômicas e políticas de todos.

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